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Pará lidera redução de homicídios no Norte, mas Castanhal segue entre as cidades mais violentas do país

Dados do Atlas da Violência 2026 mostram queda histórica na criminalidade do estado, impulsionada por investimentos milionários em segurança. No entanto, desafios locais persistem e dez municípios paraenses ainda preocupam.

Redação Por Redação
28/05/2026
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Segup destaca que os números da pesquisa refletem os investimentos em tecnologia, viaturas e armamentos. Foto: MARCO SANTOS / AG PARÁ

O Pará consolidou-se como o estado da região Norte que mais reduziu a taxa de homicídios, ocupando a quarta posição nacional entre as unidades federativas com a maior queda desse tipo de crime desde 2017. Os dados foram revelados nesta terça-feira (26) pelo Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

De acordo com o levantamento, o estado apresentou uma expressiva redução de 36,4% nos registros de homicídios no Pará entre 2014 e 2024. Em um recorte mais recente, desde 2017, a queda contínua foi de 49,8% — ficando atrás apenas do Rio Grande do Norte (-56,6%), Sergipe (-54,8%) e Goiás (-52,6%).

A taxa proporcional também recuou de forma significativa: caiu 50,7%, passando de 55,6 para 27,4 mortes por 100 mil habitantes ao ano.

Investimentos em Tecnologia e Inteligência

O secretário de Estado de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup), Ed-Lin Anselmo, atribui a retração histórica aos robustos investimentos feitos no setor. Nos últimos sete anos, o Governo do Estado destinou mais de R$ 950 milhões para a área de segurança pública.

“Temos fortalecido as forças de segurança com tecnologia, inteligência, capacitação, ampliação do efetivo e integração entre os órgãos, sempre com o compromisso de proteger vidas e garantir mais tranquilidade à população paraense”, afirmou o secretário.

Esses recursos foram aplicados em:

  • Equipamentos de alta tecnologia e mais de mil câmeras de monitoramento;
  • Novas viaturas, armamentos, munições e lanchas rápidas;
  • Implantação das Bases Integradas Fluviais em regiões estratégicas;
  • 100 totens de segurança conectados ao 190 e um novo Centro de Comando e Controle Móvel.

Outro destaque do Atlas 2026 é a preservação da vida dos jovens (15 a 29 anos). A taxa de letalidade nessa faixa etária caiu 51% na proporção por 100 mil habitantes. A melhora está diretamente associada ao programa Territórios pela Paz (TerPaz), que já implantou mais de 30 Usinas da Paz em diversas regiões paraenses.

O Contraponto: Castanhal e o ranking de violência

Apesar do cenário estadual positivo, a realidade em pontos específicos do Pará ainda exige atenção máxima das autoridades. O Atlas da Violência 2026 aponta que dez municípios paraenses estão entre os mais violentos do Brasil, apresentando taxas de letalidade que variam de 26,2 a 55,5 mortes por 100 mil habitantes.

O município de Castanhal figura nesta preocupante lista, reforçando a necessidade de políticas públicas mais direcionadas para a Cidade Modelo. Confira o ranking das taxas no estado:

  1. Marituba: 55,5
  2. Altamira: 41,6
  3. Marabá: 38,0
  4. Itaituba: 37,4
  5. Paragominas: 36,4
  6. Bragança: 29,6
  7. Belém: 29,0
  8. Castanhal: 27,5
  9. Parauapebas: 27,4
  10. Abaetetuba e Barcarena: 26,2

Dinâmicas do crime organizado

Para o especialista em segurança pública Roberto Reis, a queda geral no estado é fruto de mudanças estruturais, mas o Pará continua sendo um território estratégico para o crime.

“Nos municípios de Marituba e Belém, por exemplo, nós temos marcas muito relevantes de conflitos envolvendo territorialidade de facções, expressivas de disputas entre grupos criminosos”, avalia Reis. Ele também ressalta que cidades como Itaituba sofrem com o reflexo de conflitos agrários e invasões de terra.

Resposta do Estado

A Segup ponderou que o ranking das cidades mais violentas do Atlas é calculado proporcionalmente (por 100 mil habitantes) e considera apenas municípios com população superior a 100 mil moradores. A secretaria ressaltou que, apesar dos pontos críticos locais, o próprio documento valida a “trajetória consistente de redução dos indicadores no Pará”, comprovando a eficácia das diretrizes atuais de combate ao crime.

Assunto: Atlas da Violência 2026ParáSegurança Pública no ParáViolência em Castanhal

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