Um levantamento recente divulgado pelo DIEESE/PA, com base em dados oficiais da Agência Nacional do Petróleo (ANP), analisou detalhadamente o comportamento do preço do diesel no Pará entre os dias 24 e 30 de maio de 2026. O estudo joga luz sobre os desafios logísticos do estado no momento em que entra em vigor a nova redução de preços anunciada pela Petrobras para as distribuidoras.
Desde o dia 1º de junho, o valor médio do diesel S-10 vendido pela estatal recuou de R$ 3,65 para R$ 3,30 por litro. Essa redução de R$ 0,35 representa uma queda de 9,59%, configurando-se como o maior corte promovido pela Petrobras desde o início da atual política de preços. A expectativa é que a medida traga reflexos graduais para a Região Metropolitana de Belém e demais municípios polo, como Castanhal.
Pará segue com um dos combustíveis mais caros do Brasil
Mesmo diante do alívio anunciado nas refinarias, os dados do DIEESE/PA revelam que o cenário local ainda é desafiador. O preço do diesel no Pará atingiu a média estadual de R$ 7,46 por litro, colocando o estado na sexta posição do ranking nacional de combustíveis mais caros.
O valor cobrado nos postos paraenses supera o registrado em grandes centros de consumo e produção, como São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Rio Grande do Sul e Espírito Santo. Dentro da Região Norte, o Pará é superado em preço apenas por Acre, Roraima e Rondônia.
Diferença alcança R$ 1,19 entre Castanhal e Altamira
O monitoramento da ANP evidenciou que a localização geográfica e a infraestrutura de transporte geram distorções acentuadas dentro do próprio território paraense. Ao comparar os extremos entre os municípios polo pesquisados, a diferença no litro do diesel S-10 alcança R$ 1,19 entre Altamira e Castanhal, o que equivale a uma variação de aproximadamente 17,1%.
De acordo com a análise técnica do DIEESE/PA, fatores estruturais como a distância física dos centros de distribuição de combustíveis, as condições de abastecimento das vias de acesso e os custos operacionais de cada praça ajudam a explicar por que Castanhal consegue manter patamares mais competitivos do que municípios do oeste e sul do estado.
Disparidades regionais e variações internas nos municípios
A variação geral de preços no estado é ainda mais expressiva quando analisados os postos individualmente. O menor valor encontrado para o diesel S-10 no Pará foi de R$ 6,48 por litro, em Ananindeua (onde a média ficou em R$ 7,02). Por outro lado, o teto do preço do combustível chegou a expressivos R$ 8,80 na cidade de Altamira. Essa amplitude de R$ 2,32 por litro representa uma variação de 35,8%, uma das maiores de todo o país.
O ranking das médias municipais mais elevadas do estado é liderado por:
- Altamira: R$ 8,17
- Parauapebas: R$ 7,74
- Bragança: R$ 7,71
- Conceição do Araguaia: R$ 7,62
Até mesmo dentro de uma mesma cidade o consumidor encontra flutuações. Em Altamira, os preços variaram de R$ 7,80 a R$ 8,80. Em Abaetetuba, a diferença interna foi de R$ 1,09, enquanto em Parauapebas a oscilação foi de R$ 0,82. Na capital, Belém, o preço médio verificado foi de R$ 7,14, variando entre R$ 7,08 e R$ 7,39.
Impactos econômicos e repasse ao consumidor final
O DIEESE/PA avalia que a redução promovida pela Petrobras tem um potencial altamente positivo para desonerar o setor de transporte e logística regional. Como o diesel S-10 é o principal insumo do transporte rodoviário de cargas, a queda no preço ajuda a frear a pressão sobre os fretes, o que pode amenizar os custos de alimentos, produtos industrializados e insumos agrícolas.
Contudo, o departamento faz um alerta importante: os impactos econômicos não são imediatos. Historicamente, os reajustes aplicados nas refinarias demoram a ser integralmente repassados ao consumidor final devido aos estoques antigos dos postos e margens de distribuição. Caberá aos motoristas e órgãos de fiscalização acompanhar os próximos movimentos do mercado para garantir que o desconto chegue de fato às bombas de Castanhal e região.


