
O município de Castanhal tem mais um motivo para se orgulhar de seus talentos locais. O professor Dr. Marco Aurélio, de 28 anos, atual docente efetivo da Faculdade de Ciências Naturais da Universidade Federal do Pará (UFPA), no Campus Cametá, recebeu uma Menção Honrosa da Sociedade Brasileira de Física (SBF). O prêmio coloca a sua tese de doutorado entre as melhores do país, provando que a base educacional construída nas escolas públicas da Cidade Modelo pode gerar frutos a nível internacional.
A trajetória de Marco Aurélio é marcada pela persistência. Seus primeiros passos nos estudos aconteceram na Escola Padre Severiano, até o prédio ser danificado por fortes chuvas. A maior parte do ensino fundamental foi concluída na Escola Municipal Madre Maria Viganó, enquanto o ensino médio foi cursado na tradicional Escola Estadual Lameira Bittencourt.
Foi justamente nos corredores do Lameira Bittencourt que o destino de Marco começou a ser traçado. No 3º ano do ensino médio, dividido entre cursar Física ou História, ele encontrou a sua vocação durante uma Feira de Ciências. Incentivado pela professora de Biologia, Mirian, ele desenvolveu e apresentou um projeto de um motor movido a combustão de água. O projeto foi o vencedor da feira e serviu como o gatilho para que ele escolhesse o caminho das ciências exatas.

Uma trajetória acadêmica de peso
O caminho até o topo exigiu muito suor. Marco Aurélio cursou a Graduação, o Mestrado e o Doutorado integralmente na UFPA, em Belém. Durante o doutorado, alcançou um feito raro: conquistou uma bolsa do programa Sanduíche da Capes e passou quase um ano estudando na Universidade de Sheffield, na Inglaterra, um dos centros de pesquisa mais respeitados da Europa.
A pesquisa premiada pela Sociedade Brasileira de Física lida com conceitos fascinantes do universo: as assinaturas de campos eletromagnéticos não lineares em espaços tempos de buracos negros. De forma simplificada, o professor investigou como campos magnéticos extremamente intensos se comportam e são absorvidos ao redor da região de “não retorno” de um buraco negro — o chamado horizonte de eventos, de onde nem mesmo a luz consegue escapar.
Ciência de ponta na Amazônia
Para Marco Aurélio, o reconhecimento nacional vai muito além de uma conquista individual. É a prova cabal de que a universidade pública na Amazônia tem força para competir globalmente, mesmo diante da divisão desigual de recursos no país.
“A gente consegue produzir ciência de qualidade na fronteira do conhecimento científico do mundo, disputando no mercado internacional”, destaca o professor. “Nós estamos publicando nas mesmas revistas que caras que já ganharam o Prêmio Nobel publicam. Isso mostra a força do nosso grupo de pesquisa na UFPA.”
Um recado para a juventude castanhalense
Consciente de suas raízes, o professor fez questão de deixar uma mensagem direta para os jovens que hoje sentam nas mesmas carteiras das escolas públicas de Castanhal. Ele reforça que a jornada exige força e maturidade para lidar com as dificuldades do caminho.
“É possível, mas não é fácil. O trabalho é árduo e precisa de muito comprometimento”, aconselha Marco Aurélio. “As lacunas de formação que a escola pública deixa, a gente carrega para sempre. Nós não vamos entrar na universidade e aprender do nada tudo o que devíamos. Vamos estar sempre dando um passo para trás para poder dar um para frente.”
Ele finaliza lembrando a importância de saber lidar com os altos e baixos da vida acadêmica e profissional: “A gente nunca é o melhor quando ganha, mas também não somos os piores quando perdemos. Precisamos ter resiliência no caminho.”
A história de Dr. Marco Aurélio é um lembrete vivo para Castanhal: o esforço e a dedicação, é capaz de ultrapassar fronteiras, tornando sonhadores em grandes cientistas que ajudam a desvendar os mistérios do universo.
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