Uma nova denúncia agrava a crise no sistema público de saúde da capital paraense. Enquanto usuários enfrentam o sucateamento e a falta de assistência nos postos de atendimento, uma investigação parlamentar aponta um possível superfaturamento na saúde de Belém na compra de medicamentos pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesma).
As irregularidades foram apresentadas nesta terça-feira (20), na Câmara Municipal de Belém (CMB), pelo vereador Mayky Vilaça, que formalizou o pedido de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o caso.
O caso da Azitromicina: variação de 440,5%
O indício mais alarmante da denúncia envolve a aquisição da Azitromicina injetável. De acordo com os documentos apresentados pelo parlamentar, o antibiótico era adquirido pela prefeitura pelo valor de R$ 11,10 a unidade entre os anos de 2024 e 2025. No entanto, nos contratos firmados em 2026, o preço do mesmo medicamento saltou para R$ 60,00.
| Medicamento (Unidade) | Preço (2024/2025) | Preço (2026) | Variação Percentual |
| Azitromicina Injetável | R$ 11,10 | R$ 60,00 | + 440,5% |
O aumento expressivo ocorreu sem qualquer justificativa técnica aparente que explicasse o salto inflacionário nos contratos da Sesma.
Fiscalização e contratos emergenciais
Segundo o vereador Mayky Vilaça, as possíveis fraudes começaram a ser mapeadas no último dia 13 (quarta-feira), durante uma fiscalização presencial realizada no Pronto Socorro Municipal da 14 de Março (PSM da 14).
Na ocasião, o parlamentar teve acesso a documentos internos e notas fiscais que sugerem o direcionamento e o superfaturamento na aquisição de insumos hospitalares por meio de contratos emergenciais — modalidade que dispensa licitação tradicional e costuma acelerar os processos de compra do município.
Contraponto
O Jornal de Castanhal entrou em contato com a Prefeitura de Belém e com a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) para obter esclarecimentos sobre os valores apontados na denúncia e sobre o pedido de CPI. Até o fechamento desta matéria, nenhuma resposta foi enviada. O espaço segue aberto para o posicionamento oficial das instituições.




