A sessão ordinária da Câmara Municipal de Castanhal, realizada na manhã desta quinta-feira (21 de maio de 2026), foi marcada por um discurso inflamado e de fortes cobranças ao Poder Executivo. Ocupando a tribuna, o vereador Rafael Galvão (PSDB) centralizou sua fala em duas frentes críticas: a falta de diálogo da atual gestão com os professores municipais e o que classificou como “ineficiência crônica” na Secretaria de Obras do município.
Greve dos professores: Dívida histórica e cobrança a Hélio Leite
O parlamentar iniciou seu pronunciamento repercutindo a manifestação realizada pela categoria dos professores no dia anterior (20), em frente à sede da Prefeitura. De acordo com Galvão, o funcionalismo público da educação vem sendo ignorado pela gestão municipal, que não tem dado retorno aos ofícios enviados.
Ao analisar o impasse financeiro, o vereador fez questão de contextualizar a origem do problema, blindando parcialmente o atual governo ao apontar que os atrasos e não pagamentos do piso salarial do magistério são frutos de dívidas herdadas. Galvão citou nominalmente os ex-prefeitos Paulo Titan (mencionando os anos de 2016, 2022, 2023 e 2024) e Pedro Coelho como os verdadeiros geradores do rombo financeiro.
Contudo, Rafael Galvão sublinhou que a administração pública é pautada pelo princípio da impessoalidade. “Quem assume a gestão não assume só o lado bom, assume também o lado ruim”, disparou. O vereador exigiu que o prefeito Hélio Leite sente com a categoria para traçar um planejamento real sobre os precatórios e cumpra a promessa de campanha referente à reforma da previdência municipal, alertando que a falta de diálogo pode acirrar os ânimos e transformar uma pauta justa em uma “guerra” política.
“Tratando Castanhal como cidade pequena”
Na segunda metade de seu discurso, o tom do vereador subiu significativamente ao direcionar duras críticas à zeladoria urbana e à liderança da Secretaria de Obras. O alvo direto foi o secretário Egilasio Feitosa, ex-prefeito do município vizinho de Inhangapi.
Galvão apontou que serviços essenciais e básicos, como capina de vias e limpeza de bueiros, estão completamente abandonados na cidade. O parlamentar demonstrou indignação ao frisar que a pasta dispõe de um grande volume de maquinários comprados e alugados, mas que o resultado entregue à população se resume a “falácias e vídeos em redes sociais”.
Falta de comando no Executivo
O ponto mais contundente da manifestação de Rafael Galvão foi a cobrança pública de postura ao prefeito Hélio Leite. O parlamentar questionou o motivo pelo qual o chefe do Executivo não demonstra “coragem” ou “moral” para cobrar resultados de Egilasio Feitosa ou até mesmo exonerá-lo.
Segundo o vereador, a insatisfação com a Secretaria de Obras não é uma retórica isolada da oposição, mas uma queixa compartilhada inclusive por parlamentares da própria base aliada do prefeito, que também estariam sendo ignorados pelo secretário. Galvão encerrou sua fala com um duro conselho aos colegas de parlamento que almejam o Executivo no futuro: “Não coloquem ninguém [no poder] que vocês não possam retirar depois”.



